terça-feira, 27 de julho de 2010

Desencontro


Amor, meu amor

Já deu

Nosso amor foi um livro

Que você nunca leu

Uma música do Chico

Que você não compreendeu

Nosso amor, meu amor

Faleceu

Como quem sofre por viver

sabendo que nunca viveu.

Amor, minha dor.

É seu...

Esse poema que me acometeu

Declarando minha dor,

Não por não te amar

Mas por eu perceber

Não ser um bom escritor.

Amor, eu sei

Que te amar foi um erro,

Não que não tenha valido

Mas seria melhor ter ficado

ao lado de livros.

Nosso amor, meu rancor,

foi uma sombra na escuridão

para um cego sem mãos

que só sente o chão e rasteja

em qualquer direção.

Eu quis que você ficasse

Por pena

Mas não vale a pena

De antemão, então,

eu não quero dizer adeus.

Adeus..

Adeus...

Adeus!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Poema Descartável




Eu te amo.

Eu te amo. Eu te amo.

Eu te amo.

Eu te amo. Eu te amo.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Tudo por mim



Eu vou deixar a barba crescer

Eu vou tentar envelhecer

pra fingir que compreendo tudo

e que sei conviver

com tudo aquilo que me faz sofrer

com tudo o que me faz lembrar...

você.

Eu vou... tentar pular os muros

e rabiscar, cartas com giz

pra tentar rejuvenescer,

fingir que ainda há

muito pra viver

Fingir que ainda tenho tudo

erros para mudar

alguém para conquistar

e nunca mais perder

Eu vou tentar

Encarar meu mundo

E perceber, que o que nos faz sofrer

É imaginar que se pode adiantar o futuro

Ou o passado tentar.... reviver.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A menina que catava laranjas



Essa não, essa não

Essa sim.

Essa não, essa não,

Essa sim.

Essa não, essa não,

Essa sim.

domingo, 2 de maio de 2010

Devires


Eu tenho um desejo

errado no desejar

Tenho um silêncio por dentro

que não para de gritar.

Tenho uma dor incessante

que me faz cessar

Um porque sem razão

um motivo sem motivar

Eu tenho um ter sem ser

um ser sem estar

Tenho um querer mais forte

que a vontade de evitar

Eu tenho pernas cansadas

pra quem quer caminhar

Mas tenho vontade o bastante

pra não me entregar.

sábado, 3 de abril de 2010

Anoiteço



A noite é o inverso do dia

O dia é o decreto da tarde

A tarde nunca vira dia

Só o dia vira tarde

A noite nunca vira tarde

E o que sinto nunca virou dia

Tua falta só me lembra noite

Tua presença nunca viu meu dia

Tua tarde decreta minha noite

Minha noite deseja teu dia

Tua noite decreta tarde

Faz da noite todos os meus dias.

E, enquanto tu tardas

Meus dias, sem alegria

Escondem-se na noite

Inversa de todos os teus dias.

domingo, 28 de março de 2010

Pedaços



Por vezes me desfaço

em pedaços estranhos

pedaços diferentes

em diferentes tamanhos

Ora um pedaço é branco

outro pedaço é preto

um pedaço tem sede

outro pedaço é branco e preto

Por vezes me desfaço

em pedaços sombrios

enquanto um pedaço se aquece

outros sentem frio

enquanto um pedaço deseja

outro reclama

enquanto um pedaço odeia

há outro pedaço que ama

Por vezes me desfaço

em vários pedaços

pedaços macios

pedaços inquietos

pedaços arredios

Me divido em pedaços escassos

outros cheios, alegres

outros pedaços tristes

deprimidos e não sorridentes.

Por vezes me vejo em pedaços

alguns revoltados, vingativos

enquanto outros pedaços

querem paz, querem preencher vazios.

Por vezes eu sou pedaços

ora pecaminosos, criminosos

ora heróis destemidos.

Por vezes percebo que se tais pedaços

fossem notas, arranjos ou sintonia

se tais pedaços se juntassem,

resultariam numa estranha sinfonia.

sábado, 6 de março de 2010

Namoro Solitário à Dois


Eu moro só, mas na morada

Que há tempos eu habito

Ao lado mora enamorada

Uma donzela que eu cobiço.


Flores já comprei,

Versos escrevi

Mas aquelas nunca dei

E estes nunca li.


Eu moro só, mas a menina

Que ao meu lado então reside

Com meus olhos não se encanta

E aos meus gestos se resiste.


Chorar eu já chorei

Indiferenças já fingi

Mas daquele me cansei

E destas sucumbi.


Eu moro só, mas por amar

Assim, desesperado

Dorme comigo imaginada

Essa donzela do meu lado.


Dorme comigo imaginada

Faz parte dos sonhos delicados

E por mais que seja inventada

Ela inventa meus prazeres descuidados


Namoro só, assim, enamorado

Mas vivo a dois, com ela do meu lado

Se na vida não conquisto, então real cuidado

Quem me cuida são meus sonhos, cultivados.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Com meus olhos...



Olhe com meus olhos

E, com eles, olhe para os teus

Ao olhar repare,

Que ao que tudo que nos separe

Traz-me lágrimas de um adeus.


Olhe com meus olhos

E, com eles, olhe os lábios teus

Ao olhar, repare

Que quando tu falas

Teus lábios se movem

Cativando os meus.


Olhe com meus olhos

E, com eles,

Olhe por dentro de mim

Ao olhar, repare,

Que o que deveria ser de minha parte

Só há você, por fim...


Olhe com teus olhos

E, com eles,

Não saberás o que sinto

Teus olhos jamais poderão ver

As verdades de meu peito a sofrer

Que por fora tantas vezes minto.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Mínimas



Invente teu próprio vento

Mas não sopre a vela de teu barco

Com tua própria boca.


Invente teu próprio amor

Mas não se esqueça que no amor inventado

amante e amado não amam a ninguém

a não ser a si próprios.


Peça perdão...

antes que se esqueça de estar arrependido.


Diga que ama se assim o for,

Mas se odiar... será tarde demais para dizê-lo.


Se estiver em um amor correspondido

Cuidado para não estar correspondendo a si próprio.


Se você perdeu alguém querido, sofra...

sofrer por isso é um privilégio de poucos.


Se você chegou a ler estas frases,

é por que é uma pessoa paciente..

Paciência é um bom começo para uma

boa amizade...

(...)

Abraços sinceros...

sábado, 9 de janeiro de 2010

O Poema e a Poesia




Então um dia,

o poema disse à poesia:

- Sem você não há alegria,

Não há euforia, não há furor...


Recatada,

Replicou a poesia:

- Sem um poema a admirar

Até mesmo a mais bela poesia

Jamais provocará ardor...


Já o poeta,

Enciumado dos seus personagens

Lacrimeja inconstante

Por se deparar que no papel

Criou um amor inventado e fiel

A que nunca tivera antes.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Por ela...


És, pois, uma poesia

Cada pedaço de teu corpo

Eu, por fim, um poeta

Jamais cumpro a meta

De escrever-te a meu gosto...


Em cada verso me disperso

Em cada estrofe me complico

Em cada pedaço lhe confesso

Tudo que me é sentido..

Mas confesso, que confesso

Escondido.


És, pois, uma poesia

Tua saliva que nunca sacia

A sede de quem lhe procura

És uma pura poesia

Que me causa vontades impuras...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Sobre Pintores e Poetas


O poeta é um pintor de palavras

Que com apenas uma cor

Pincela sentimentos

Faz das folhas em branco

suas telas

Registra em versos,

Seus pensamentos.


O pintor é um poeta alienado

Que nas telas rabisca

O que em versos não se explica

Troca humores por cores

Troca grafite por tinta.


A mulher que agora me encanta

Não tem pincéis, não tem grafite

Não tem versos, nem telas

Mas basta sua presença, que vejo,

Um poema em forma de desejo

Uma pintura das mais belas...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Dizeres


Direis que louco és por tal senhora

Pois digo, por ela,

Louco também sou

Mas se teu peito nela se consola

Ao meu peito cabe apenas

Morrer de amor..


Amor de peito, dela me devora

Se em ti ela pode dar calor

Mas se teu olhar a mim já não demora

A ti ela causa tanta dor...


Dor esta, meu caro, que nos machuca

Como tal ninguém pode vencer

E este amor que a tanto nos perturba

Leva-nos aqui tanto a sofrer.

Bem sei que nessa vida que perdura

Por ela, vamos juntos,

Se odiar até morrer...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Plurissignificativo



É delicado, senhorita

o dedo que toca

Cada nota neste piano

Pois com este toque delicado

Prometo tocar seu corpo

Como o pianista toca o piano.


É disfarçado, senhorita

o olhar que assim contempla

Uma pintura na galeria

Pois com este olhar disfarçado

Prometo tomar o cuidado

De ver no seu corpo

Uma pintura em euforia.


É declamado, senhorita

O verso na boca do poeta

Pois com esta mesma boca

Prometo em toda biblioteca

Declamar o que de ti me afeta...


É saudade, senhorita

O que sinto pela tua espera.

E nada delicado, disfarçado

Ou declamado...

Irá preencher essa sua demora.

sábado, 8 de agosto de 2009

Poema de si



Minha vida é um poema

Não publicado

Jamais lido

E complicado


Minha vida é um poema escrito

Sem ser pensado

É um poema esquisito

por si próprio, recusado


Minha vida é um poema

Sem poesia

É como a palidez,

Sem alegria.

É como ter cores,

Mas ser daltônico.

Minha vida é poema

De poeta lacônico.


Minha vida é poema

Por mim não rabiscado

É verso invertido

Encanto desencantado.


Meu poema é minha vida

Um descrever mal interpretado

É sigilo em face vencida

É verso descuidado.

domingo, 19 de julho de 2009

Contradição



Procuro-te, desejo-te

E, por assim lhe desejar

Te quero longe.

Esmaga-se um desejo

Se, por ventura o desejado

A ele se consome.


Atentos e atordoados

Meus olhos te procuram

Desesperançosos

Mas, por favor, não se aproxime

Pois cometerás o crime

De saciar o que me incita os olhos.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Por mim



Minhas mãos, ao pensar-te,

tremem

Em alternâncias

descontínuas

Ao vê-la, então,

vou confessar-te

Ao vê-la,

elas tremem mais ainda...

 

Quando tu se aproxima,

eu desminto

Com uma face, falsa, finjo calma

Mas por dentro, confesso,

não minto

Por dentro

Nada pode, nada acalma..

 

Quando tu, então, desrespeita

Os limites invisíveis,

respeitados

Eu rogo a deus

Para que nada aconteça

Como imploro, para que nunca

Ele atenda estes recados... 

domingo, 19 de abril de 2009

Na Biblioteca


Te ver, é ler

Um livro na biblioteca

E entre tantos por escolher

Tu seres único que me alimenta

 

Te ter, é ser

Um livro na estante

Entre tantos a lhe prender

Eu ser o único que lhe espante

 

E se eu, teu leitor, dispensar algumas páginas

Ou palavras de teu livro

É porque tua obra causa lágrimas

Que por vezes não corrijo

 

E se eu, teu leitor, porventura

Negar de tua escrita um verso

Não é porque nego vossa doçura

Mas porque na minha alma está o inverso

 

E se eu, por fim, abreviar a vida

E a ela dar fim nos pensamentos meus

Não pense que tuas letras não me trouxeram alegria

Pois foram elas que adiaram meu adeus.

terça-feira, 24 de março de 2009

Outono de Abril



Um copo de vinho

Uma sonata no piano

E um perfume doce,

preparei,

para quando tu chegastes...

 

Mas o vinho, secou

A sonata, cessou

O cheiro, se perdeu...

 

Preparei o vinho,

Como preparei a vida

Escolhi a sonata

Como música, preferida

Reservei o perfume

Como o cheiro

da minha verdade

 

Mas meu vinho

virou sangue

Minha sonata

Desafinou

Meu perfume

Só mentiu

A mais falsa das verdades

A de que um dia, tu chegastes.

No outono de abril.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Sonhos..



Ah, senhora, sonhei

Com cordas de violino, eu sei...

Eu sei que sonhei

Com duas estrelas castanhas

Pois então, senhora, acordei

E não vou lhe negar

Que ao despertar

Me assustei...

As cordas de violino...

Não eram cordas musicais

Eram fios de seus cabelos

Sobre meus lençóis.

As estrelas castanhas

Não eram astros do céu...

Eram teus olhos delicados

A clarear sobre os meus.. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Soneto

 

Este estado em que me vejo desconheço

Duvidoso eu me sinto estou certo

Quando chega esta rosa de mim perto

Implica-me a oscilar do que mereço

 

Tanto percebo que a teu lado estou forte                     

Tanto confesso que em distancia padeço

Mas que fenômeno é tal que não conheço?

Que sem ele encontrar prefiro a morte

 

Da mocidade meus olhos não passaram

Mas o que sinto em momentos causa dor

Se tão novos meus olhos já choraram

 

Antigos então, jamais serei quem sou

Pois já não sei se o que estes olhos encontraram

É o que todos chamam de amor.

 

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Angústia



Quando meu grito soa

Pelos cantos do mundo

Nenhuma matéria recua

Tingida pelo segundo

 

Quando meus gestos reclamam

Algum movimento profundo

Não há mover provocado

Meu ato jamais foi fecundo

 

Eu quero pedir licença

Retirar-me um momento

Pois meu corpo hoje ocupa

Mais espaço que meu pensamento

 

Eu quero sair em silêncio

Me enfiar em alguma via escura

Pálido e trêmulo

Para viver a minha angústia

 

domingo, 26 de outubro de 2008

Incontido


 

Todo poema dedicado é delicado.

E soa como uma nota de piano

Escreve-se em dedo, com cuidado

Como se para ser escrito, levasse ano.

 

Todo poema que lhe dedico

Em cada verso me complico

Pois cada palavra dedicada

Me leva uma face debruçada

Me sobra uma timidez sem sentido

 

Se me encanto por ti, me envergonho

Em por nas entrelinhas o que sonho

Pois não há verso contido

Que não esteja tão perdido

Ao tentar expressar o que proponho

 

Nas folhas, nos livros então escritos

Eu te encontrei, em poemas ditos

Mas preferi ficar um tanto quieto

E contar o que sinto por incompleto

Ao evitar soar meus próprios gritos.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Contido


Escrevia-lhe uma poesia

Sobre rancor

Mas enquanto escrevia

Me perdia

E falei de amor

Envergonhado, me assustei

Pasmo e pensativo

fiquei

 nas suas mãos

enquanto nas minhas

os dedos tremias

de solidão

Fechei os olhos

E também os papéis

Quebrei os grafites

Como o pintor quebra pincéis.

E, revoltado,

rasguei o poema

e me encontrei

igualmente rasgado

em seu dilema...

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Saudade


Vá lá, que cá fico eu

Com as tralhas de teu uso

Seus chinelos gastados

 

Tu parte tão tarde

Que pra ir embora já aconteceu

A demora deu espaço

Pra este peito se encantar

 

Ah, senhora... vá..

Dos livros tomo conta...

Das folhas, das fotos...

Vá lá que estes calços meus

Inda tão inteiros, não me permitem

partir...

 

Ah, senhora... vá...

Vá lá que cá fico eu...

 Com estes pedaços,

Agora tão enriquecidos...

 

Vendo que em mim

Tudo então morreu

Prefiro ver com olhos...

Entristecidos...

 

Vá... vá... que esta dor

Só meu tempo cura

E triste é saber

Que a pior dor

é a que só o tempo muda..

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Frio


Eu sou um homem frio

sou frio,

homem

sou

E na inevitabilidade do ser

Qualquer homem é frio

Quando o frio

Tem mais calor,

Que a dor. 

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Sonata


Eu te amo como amo uma nota de piano

Em que cada nota tocada

Há gota derramada

Uma gota no oceano


Em cada sonata ouvida

Há subjetividade invadida

E em mim um exemplo de dor

O que me consome é o amor

Compositor de toda minha vida.


Antes de partir, porque fizestes

Que eu ouvisse contigo

A melodia mais bela?

Pois já que antecedeu tua ida, ela

É hoje a obra que tanto maldigo.


A minha sorte é ainda ser jovem

Para ouvir uma sonata mais bonita

Assim esperando que ela anteceda

Alguém com pele de ceda

Que nunca me abandone em vida.


Se resta de nós alguma mágoa?

Digo que não, mas desconfia

Pois de grande amor há que restar

Nem que seja apenas para lembrar

Uma melodia tantas vezes ouvida.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Soneto Oco


Se pedires mulher, lhe faço um soneto.

Com versos e rimas, de forma nobre.

Se chorares, teremos aqui um dueto.

Uma triste senhora e um poeta pobre

Os versos que escrevo, eu sei, maldito,

Seja aquele que por fim os desenvolve

Vergonha a poesia, sou poeta dito.

Sem palavras, tolo, quando mal desejo morte.

Mas se escrevo assim é porque tanto

Na ponta de meus dedos desliza o grafite

Que contorna os versos que lhe dedico

Pois quando penso em ti, portanto

É melhor evitar que o poema grite

E esconder-me por trás do que fabrico.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Complementares


Ver-te, apenas, me inspira e movimenta entranhas...

E quando me toco, imagino coisas estranhas.

Nas camas dos bairros mais pacatos

Acontecem as perversões do moralismo

Eu prefiro me benzer de ceticismo...

Quando vejo-te, nua, cometendo atos

Analiso tuas mãos lisas, impuras

E nas tuas impurezas alcanço meus cuidados

Eu prefiro me perder entre seus delicados

Seios fartos, e olhares que conjuras.

Se é amor ainda não explico

Mas sei que quando deitas eu me complico

E entre os lençóis exatos

Me resta debruçar sobre seus contatos

E gozar diante de seus gritos

Quando toco em tuas partes íntimas

Percebo míseras expressões ínfimas

De quem gosta do sentido tato

E sei que quando pede coisas mínimas

Vens com aquelas falas tímidas

Sabendo que o prazer é um fato.

E diante do teu suor transpirante

Me deslizo no teu corpo feito amante

E encontro na tua boca já cansada

Uma gota de saliva descuidada

Que na minha boca torna-se habitante

E em tua delicadeza efervescente

Eu me acolho calmo e lentamente

Para assistir seu espetáculo mais gentil

Quando sobre este corpo descontente

Lança mil prazeres, e envolvente...

Faz sentir o que este corpo jamais sentiu.